A partir de um “estalo” numa longa fila de fotocópias, Sotero montou o próprio negócio.
Numa tortuosa fila da fotocopiadora do Detran, há pouco mais de três meses, Sotero Nascimento teve um estalo. “Taí, eu trabalho com isso e tô enfrentado essa espera”.
Espremeu os botões, torceu alguns parafusos, juntou 40 baterias de telefone sem fio a uma impressora a jato de tinta e se tornou o primeiro self-copyist-made-man da apressada Av. Tancredo Neves.

De segunda a sexta, das 7h30 às 17h30, passam por sua banca RGs, habilitações, certidões negativas, CPFs e que tais, que lhe garantem de R$ 50 a R$ 100 por dia. “Há 17 anos monto meus empregos”, gaba-se ele, hoje com 40 e larga experiência em consertar máquinas off-set e impressorasindustriais.
O traquejo com o maquinário vem da adolescência, quando fez cursos profissionalizantes de elétrica, mecânica e eletrônica – “igual ao presidende Lula”, lembra Sotero. Antes de ser copiador móvel, ele vendia máquinas forjadas por ele mesmo. Pequenas betoneiras, formas para tijolos e encartadeiras, aquelas máquinas que servem para fechar embalagens de papelão.
A mente irrequieta de Sotero já havia percebido a necessidade de uma copiadora portátil. Mas, há um ano e meio, ele não conhecia a tecnologia para tanto e ainda ganhava bem dando assistência técnica a impressoras a laser. Preferiu guardar a ideia. “Tem ideias que ficam encantadas, deixo elas ali no canto esperando a oportunidade”, explica.
A oportunidade chegou junto com a expansão das impressoras a jato de tinta. Os cartuchos mais baratos levaram os clientes a reclamar do preço dos serviços de Sotero, levando-o a encarar seriamente as jato de tinta. E foi nelas que encontrou solução para sua ideia “encantada”.
Fonte: Jornal A Tarde








