Todos os sinais da conjuntura nacional e internacional indicam que vivemos um momento de expansão econômica com a geração de inúmeras oportunidades em diversas áreas de negócios.
A recuperação da economia mundial pós-crise, o crescimento projetado do PIB brasileiro, a relevância do país no cenário internacional, as demandas energéticas e de sustentabilidade, a valorização da tecnologia, a concretização do sonho de realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016, e a exploração do Pré-Sal são motivos de ânimo por parte do empresariado.
Porém, as oportunidades exigem organizações cada vez mais capacitadas, para que possam participar do “jogo” em condições de competitividade, frente a um mercado cada vez mais complexo, com corporações globais, ousados novos entrantes e fornecedores de baixíssimo custo, a exemplo da China e da Índia. Com isso, são multiplicadas as exigências: CMMI, ISO, Six Sigma, Benchmarking, Downsizing, Outsourcing, BPO, Cloud Computing, Open Innovation, redes, APL, propriedade intelectual. Como conviver tranquilamente com tudo isso? O que de fato é relevante?
A preparação da organização exige pessoas qualificadas e motivadas, processos estruturados e respeitados, planejamento estratégico e operacional em funcionamento, alianças com parceiros, fornecedores e até concorrentes, um bom modelo de negócio, inovação sistemática, expansão para novos mercados, prospecção de oportunidades. É possível fazer frente à essas exigências? Nossas organizações estão dando conta desses desafios?
Inicialmente, esse excesso de demandas de gestão é inevitável e não podemos abrir mão dessas preocupações diariamente, sob pena de sermos aliados da hipercompetição. Infelizmente, esse cenário vai ficar ainda mais intenso, pois nosso mercado é atraente, estamos em voga e alguns países nos enxergam como grande oportunidade.
Uma compreensão que ganha força é que a inovação se apresenta como um elemento chave nessa dinâmica. Inovar é fundamental para ser competitivo e para que o negócio seja sustentável ao longo do tempo. Diversos autores, eventos, movimentos e iniciativas reforçam essa percepção.
A inovação é o caminho que as empresas devem permanentemente percorrer para enfrentar os desafios do mercado e se manterem jovens e competitivas. Ela possibilita que os produtos, processos produtivos, organização, gestão e práticas de marketing de uma empresa se mantenham adequadas ao mercado, ou seja, em permanente sintonia com as necessidades dos clientes (SEBRAE). Todo produto, serviço e processo possui um ciclo de vida – ele cresce, amadurece e chega ao seu máximo – se você não continuar reinventando e reenergizando, você pode perecer.
Inovação é a prioridade, pois representa a atualização da oferta de produtos e serviços das organizações ao mercado, o atendimento de demandas reais da sociedade, a fidelização da clientela, a melhoria das margens da empresa, um forte motivo para mobilização da equipe interna e retenção de talentos, a forma mais indicada para remunerar acionistas.
Adicionalmente, reforçando a tendência de valorização da inovação como elemento estratégico para o desenvolvimento empresarial, o Brasil conta com um novo marco regulatório, composto pelos fundos setoriais de ciência e tecnologia, Política de Desenvolvimento Produtivo, Lei de Inovação (2004), Lei do Bem (2005), Subvenção Econômica, etc.
Essas condições e sua priorização ao longo da última década, em especial, permitiram a ampliação dos recursos públicos disponíveis. Apenas a Finep contará em 2010 com cerca de R$ 3 bilhões para financiamento à inovação. Os esforços do BNDES na área também são crescentes, com linhas especiais vigentes até o final de 2010.
Há diversos esforços de disseminação de iniciativas de apoio à inovação em curso, por todo o país, empreeendidos pelo Sistema S, governos, entidades de classes e organismos de fomento.
Mas por que as empresas ainda reclamam tanto da falta de recursos para financiamento dos seus projetos inovadores?
No nosso entendimento, essa realidade exige que, a partir de agora, precisamos observar alguns fatores com mais atenção, sob pena de ficarmos de fora da dinâmica que ganha força e se qualifica com grande intensidade.
As principais questões apresentadas às empresas são:
1. Poucas empresas conhecem os mecanismos disponíveis de financiamento à inovação. Nos últimos 10 anos, apenas cerca de 1.500 CNPJ no Brasil tiveram acesso à subvenção econômica ou benefícios fiscais para inovação. O Programa Juro Zero Fapesb/Finep, por exemplo, desde 2005 disponibiliza R$ 20 milhões apenas para empresas baianas, mas os recursos não são acessados. No último edital de Subvenção Econômica da Finep, que disponibilizou em 2009 cerca de R$ 450 milhões, apenas 03 empresas da Bahia foram contempladas. É preciso ampliar e intensificar a disseminação da informação sobre oportunidades, ou ficamos sem os recursos mais atraentes, do ponto de vista de seu custo. Nesse sentido, as redes de empresas e as entidades representativas de segmentos empresariais precisam ampliar a mobilização;
2. A ideia de inovação é muito comentada, mas a prática é desorganizada. Quando analisamos os projetos das empresas que já submeteram pleitos às agências de fomento, fica claro que há baixo entendimento dos conceitos de inovação, seja em produto, processo, serviço, estratégia, mercado ou modelo de negócio. Os projetos apresentam pouca consistência e baixa viabilidade. As empresas fazem grandes esforços para construir projetos, que depois não são aprovados, porque são claramente defeituosos. As agências de fomento relatam que os projetos não possuem a qualidade necessária para a aprovação e que sobram recursos. Utilizamos os conceitos de inovação em nosso marketing, mas não temos isso incorporado por nossas equipes, em nossa cultura e como uma prioridade absoluta. É urgente desenvolvermos a cultura de inovação em nossas organizações com prioridade e consistência;
3. Os projetos são construídos para captarem os recursos disponíveis, mas não fazem parte de uma estratégia consistente da empresa. Muitas das organizações que apresentam projetos de inovação aos financiadores ainda não estruturaram a inovação de modo profissional, como estratégia empresarial, a partir do planejamento estratégico, do desenvolvimento da cultura inovadora da organização – ambiente inovador interno, da definição dos processos de submissão de ideias, avaliação de sua viabilidade, planejamento de seu desenvolvimento, realização de testes e lançamento no mercado. Os projetos são artificiais, feitos de última hora, muitas vezes desconectados da realidade da organização proponente. É preciso estruturar a inovação na organização;
4. Há muito mais recursos. Os recursos não-reembolsáveis representam pouco quando comparados às oportunidades atualmente existentes junto a capitalistas de risco. A estruturação da inovação na organização gera o aumento da competitividade dos projetos de inovação da empresa junto às agências de fomento, mas esse é apenas um efeito possível. A estruturação de planos de negócios, a realização de testes de protótipos, testes em mercados e a simples existência de estudos de viabilidade são diferenciais importantes no processo de negociação de parcelas do capital das empresas junto aos capitalistas, aos financiadores e potenciais investidores. Trabalhar as ideias de forma profissional valoriza a organização e abre novas oportunidades de negócios.
5. A brincadeira está ficando séria, mas ainda é tempo de participar. Ao mesmo tempo em que as oportunidades se apresentam, outras organizações se mobilizam para participar ativamente do processo. A qualificação empresarial na área de inovação é crescente, a exemplo da MEI – Mobilização Empresarial pela Inovação, iniciativa de CNI – Confederação Nacional da Indústria que trabalha para que a inovação seja uma das prioridades mais importantes da indústria brasileira. Quem quiser trabalhar pela competitividade e sustentabilidade de seus negócios, vai precisar qualificar rapidamente seus times, priorizar a inovação como questão estratégica e profissionalizar seus esforços, utilizando os mecanismos de apoio disponíveis, ampliando parcerias e monitorando oportunidades.
Em suma, a mensagem é de ânimo! A inovação está na pauta e deve ficar por um bom tempo, afinal nossa sociedade acelerou as demandas por produtos e serviços, atingindo uma velocidade de adaptação que apenas as empresas mais ágeis e inteligentes poderão acompanhar.
Ainda é possível orientar as organizações para participar dessa dinâmica, mas certamente não será assim por muito tempo.
“Esperar não é saber/quem sabe faz a hora/ não espera acontecer” Geraldo Vandré
Autor: Alexandre Tocchetto Pauperio, sócio-diretor da BRAIN – Brasil Inovação








