Jovens em mais de 20 países, incluindo a Índia, conhecida por seus softwares e a Finlândia, renomada pela qualidade da educação, estudam, nos últimos anos, com tecnologia brasileira. A P3D, desenvolvedora e fabricante de softwares de realidade virtual para escolas, faz parte de uma geração de pequenas e médias empresas brasileiras da área de tecnologia que praticam algo impensável há poucos anos: exportar, inclusive para países desenvolvidos. Leia mais.
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Já há mais de 300 dessas empresas na lista da Agência Brasileira de Promoção a Exportação e Investimentos (Apex), que negociam contratos comerciais com clientes de países como Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Espanha.
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Software criado pela P3D |
“O nível de profissionalização e de qualificação na área de tecnologia no Brasil cresce a cada ano e permite a criação de um número maior de pequenas empresas inovadoras”, diz Alessandro Teixeira, presidente da Apex. “Quando se trata de empresas especializadas, de ilhas de excelências, não interessa o tamanho. Há lugar para elas em mercado desenvolvidos, mesmo nos que são referência na criação de novas tecnologias, como Estados Unidos.”
A tecnologia de “Avatar”
Criada em 2005, a P3D foi durante três anos uma das empresas incubadas na Cietec, rede de incubadoras da Universidade de São Paulo (USP). Usando a mesma tecnologia que pode ser vista no blockbuster “Avatar”, como gosta de comparar Mervyn Lowe, sócio da P3D, a empresa criou um conceito de softwares educativos em 3D, nos quais a interatividade é total.
“Temos a versão moderna do antigo esqueleto que ficava nas salas para as aulas sobre o corpo humano. Nossos softwares são universais, porque não têm textos ou voz, o que permite que cada professor monte a aula de acordo com sua necessidade, em qualquer lugar do mundo”, diz. Voltados para o ensino fundamental e médio, os softwares são usados também por universidades, que aproveitam a tecnologia para rever conceitos básicos.
Hoje, o mercado nacional representa 80% do faturamento anual de R$ 2 milhões da empresa. Mas, a expectativa é de que em até cinco anos as exportações sejam maiores que o faturamento no Brasil. A julgar pelo contrato recentemente fechado com a Índia, esta é uma meta viável. A previsão é de que o mercado indiano compre ao menos US$ 1,5 milhão nos próximos quatro anos.
Cuidado com a pirataria
Exportar produtos inovadores tem um lado arriscado. Além de atrair clientes interessados em novos produtos, eles também chamam a atenção dos piratas do comércio global. “Existem empresas que prospectam novidades pelo mundo afora apenas para copiá-las”, diz Jaime Akila Kochi, consultor da área de internacionalização do Sebrae de São Paulo. “Normalmente, solicitam uma amostra, com a desculpa de que querem avaliar o produto. O inventor, feliz, nem desconfia, e quando se dá conta, perdeu tudo.”
Uma alternativa para escapar desse tipo de golpe é registrar patentes dos produtos. Mas como a maioria dos empresários de pequenos e médios negócios não tem tempo, nem dinheiro, Kochi defende que uma alternativa interessante é vender a idéia para uma grande empresa. “O inventor ao menos poder negociar a autoria e os ganhos, e ainda terá seu invento lançado no mercado”.









