Mesmo os mais desavisados têm percebido quanto o termo “inovação” ganhou espaço na mídia e nos discursos empresariais e governamentais, nos últimos tempos, e devem estar se questionando: será esta uma nova moda? Conheça um pouco mais sobre a nossa visão.

A inovação é um conceito que possui múltiplas abordagens, variando principalmente em função da finalidade a que se propõe a se envolver.

No meio publicitário, por exemplo, a inovação está relacionada com o conceito de criatividade, associado ao impacto gerado e à capacidade de adequar-se à mensagem que cada ação de comunicação se propõe a transmitir.

No meio econômico e empresarial, a inovação é compreendida como a exploração, com sucesso, de novas idéias e conhecimentos, transformando-se em novos produtos, processos e serviços, assim como na criação de novos mercados, e em novos modelos de negócio.

O sucesso das empresas, portanto, depende do aumento de receita, melhoria da lucratividade, ampliação ou acesso a novos mercados, ampliação ou qualificação do portifólio de produtos e serviços, menor impacto ao meio ambiente, redução de custos, aumento da produtividade, dentre outras possibilidades perseguidas no cotidiano gerencial.

A estes fatores estão associadas as condições de sobrevivência e crescimento das empresas. Ou seja, é por meio dainovação que as empresas obtêm os diferenciais competitivos necessários ao sucesso no, cada vez mais, acirrado mercado global.

O maior exemplo recente de resultados obtidos graças a investimentos consistentes em inovação pode ser verificado no exponencial crescimento da marca Google, reunindo novos serviços, conceitos e um novo modelo de negócio, que gerou um valor econômico de marca superior à tradicional Coca-Cola, em apenas oito anos de existência. Trata-se hojeda marca mais valiosa do mundo.

No âmbito regional, empresas como a Softwell Solutions, com pouco mais de 2 anos de fundação, demonstram como uma visão orientada para a inovação, aliada à capacidade técnica e gerencial podem ser atributos fundamentais para um crescimento rápido e sustentável.

Há cerca de 40 anos, Schumpeter, um dos principais economistas a tratar sobre este assunto, nos sinalizou que ainovação deve ser compreendida como a força que coloca em movimento a engrenagem da economia. Atualmente, a incorporação da lógica da inovação, fortalecida em tempos de Sociedade do Conhecimento e de hipercompetitividade, exige diversas adaptações e mudanças por parte das organizações protagonistas.

Percebemos, no entanto, que nas empresas, assim como nas universidades, centros de pesquisa e nos governos, ainda são raras as estruturas preparadas para o desafio da incorporação e aproveitamento do conhecimento e sua transformação em valor para a sociedade.

Acompanhando a tendência demonstrada em países como a Coréia e Irlanda, um novo cenário futuro tem enchido de otimismo o sistema brasileiro de inovação. Após cerca de duas décadas de pouco estímulo ao desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil, um novo marco legal e maior disponibilidade de recursos financeiros têm sido acompanhados por uma nova atitude por parte da iniciativa privada e das instituições do conhecimento.

As mudanças recentes no marco regulatório brasileiro, com o advento da Lei de Propriedade Industrial (1996), dos Fundos Setoriais CT&I (2001), da Lei de Biossegurança (2003), da PITCE – Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (2003), da Lei de Inovação (2004) e da Lei do Bem (2005), também criaram condições propícias e estimulantes para uma inserção mais consistente de governos, instituições de CT&I, pesquisadores e empresas.

O investimento, público e privado, realizado nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, nos  últimos anos tem superando o montante de investimentos realizados nos anos 70, durante o “milagre do crescimento”, período áureo dahistória brasileira de investimentos em políticas desenvolvimentista. Estima-se que nos próximos anos alcance cerca de 1,5% do PIB (vide gráfico 1). Este montante, no entanto, ainda é inferior a economias em desenvolvimento, como a China.

Os recentes editais de subvenção econômica e de apoio a micro e pequenas empresas inseridas em Arranjos Produtivos Locais, promovidos pela Finep, além dos editais do Programa Bahia Inovação/Pappe Subvenção, operado na Bahia pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) são exemplos cada vez mais popularizados e acessíveis a grande número de pesquisadores e empresas.

Por outro lado, iniciativas empresariais como o Movimento Empresarial pela Inovação, liderado pela Confederação Nacional da Indústria, tem cumprido com a importante missão de arregimentar o universo privado em torno desse tema, colocando o assunto definitivamente na pauta de trabalho.

É inegável que o Brasil está mais mobilizado para a inovação e este desafio passa, hoje, especialmente pela atenção e articulação da iniciativa privada, aproveitando as oportunidades apresentadas e apontando oportunidades de aperfeiçoamento dos sistemas de apoio e das políticas públicas vigentes.

Por outro lado, o domínio dos aspectos gerenciais relacionados à inovação coloca-se como um novo horizonte necessário à competitividade das empresas. Questões como a gestão do processo da inovação, o relacionamento com parceiros externos (Open Innovation), os incentivos fiscais, a propriedade intelectual, a promoção da cultura dainovação e a formação de lideranças, além da engenharia de financiamento são competência que cada vez mais os gestores precisam dominar e estimular em suas organizações.

O tema demanda novas discussões específicas e tempo para a sua plena assimilação pela empresas, pesquisadores, instituições do conhecimento e gestores públicos. Portanto, por mais que se confunda com um fugaz modismo, sua popularização traz inegáveis benefícios a uma mudança cultural que deve ser incorporada.

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